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Rural Ventures capta R$ 50 milhões para investir em agtechs

Gestora de André Amorim valida tecnologia com produtores antes das apostas

Depois de dois anos investindo com capital próprio e testando a tese de financiar startups do campo, um grupo liderado por André Amorim, ex-XP e fundador da Rural Ventures, está concluindo a captação de um fundo de R$ 50 milhões.

O veículo vai investir exclusivamente a tecnologia para o agronegócio, com uma proposta ainda pouco comum no mercado brasileiro: reunir investidores que, além de capital, atuam como validadores técnicos das apostas. “No agro não existe investimento de PowerPoint. Você precisa testar no campo, com quem produz. Quando você valida com gente do setor, a chance de errar cai muito”, diz Amorim.

Nessa lógica, ele cita entre os cotistas Fábio Barbosa, CEO da NovaAmérica, uma das maiores produtoras de cana do país, Daniel Randon, da companhia de logística e máquinas, e André Perrone, sócio da Confinamento Monte Alegre. “O mais difícil não é captar dinheiro. É escolher quem vai investir com você. Não é só o capital, é a pessoa”, diz Amorim.

O fechamento do fundo está previsto para fevereiro. Segundo Amorim, cerca de 70% dos recursos já estão levantados, principalmente com empresários do agro. O tíquete médio por investimento em startup será de cerca de R$ 2 milhões, com espaço para três a quatro rodadas de follow-on.

Antes de estruturar o fundo, a Rural fez cinco investimentos, em formato de club deal com quem entende de cana, café, laranja, pecuária e logística.

O grupo também desenvolveu uma plataforma proprietária chamada Ruraltech, que reúne dados detalhados de mais de 650 startups de tecnologia para o agronegócio, com uma média de 30 novas empresas catalogadas por mês. O material é produzido a partir da pesquisa para investimentos e que acabou virando banco de dados para outras empresas e investidores.

“É uma pequena ‘Bloomberg do agro’. Começamos a vender a plataforma para grandes corporações, como Cargill e BRF, interessadas em fomentar suas áreas de inovação”, conta.

Segundo Amorim, as cinco empresas investidas até agora registraram, em média, crescimento de até nove vezes no faturamento após a entrada do grupo, impulsionadas por acesso a clientes estratégicos, ajustes de modelo de negócios e reforço de governança.

Um dos casos é a AgroBoard, plataforma automatizada de gestão de risco para indústrias. Após a revisão do modelo de cobrança – diluindo o custo de implantação no pagamento mensal -, a empresa destravou contratos com multinacionais e viu a receita saltar cerca de R$ 3 milhões para uma projeção de R$ 20 milhões em dois anos.

“O empreendedor de tecnologia não tem acesso à indústria. A gente conecta, abre portas, ajuda a desenvolver produto, entra em governança. Isso praticamente não existe no Brasil”, diz. Contribuiu para a atração de cotistas no novo fundo o fato de a Rural já ter começado os desinvestimentos, monetizando os retornos.

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