Menos startups, mais PMES: Hiker dobra aposta na economia real

Venture capital mineiro abre portfólio para empresas fora do universo de tecnologia e planeja cheques no 1º semestre

A Hiker Ventures, braço de venture capital da boutique de investimentos mineira Araújo Fontes, deu início à captação de seu segundo fundo, com meta de R$ 100 milhões, o dobro do veículo anterior, atualmente em fase de desinvestimento. A previsão é fechar a captação até o fim de 2026.

A gestora prevê alocar o capital em 15 a 20 startups até 2029, com os primeiros cheques, com tamanho oscilando entre R$ 2 milhões e R$ 7 milhões, previstos já para antes do fim do primeiro semestre deste ano. Neste novo veículo, a Hiker quer investir não só em companhias de tecnologia, mas também em empresas da economia tradicional de pequeno e médio porte.

“Vimos que mesmo empresas de economia real têm potencial de retorno alto, desde que a companhia seja eficiente e que a gente consiga ajudá-la não só com equity, mas com estruturas financeiras e FIDCs”, diz Guilherme Chernicharo, sócio-fundador e CEO da Hiker Ventures. Junto de Rodrigo Moreira, ele criou a casa em 2022, com capital da butique de M&A Araújo Fontes.

Com o fundo anterior, que teve a captação encerrada em 2024, a empresa fez 10 aportes, como na startup Fluna, de hiperautomação, e na MT Bank, fintech para PMEs. Atualmente, há duas empresas do portfólio submetidas à diligência para M&A – se o acordo avançar, essas podem ser as primeiras saídas da Hiker.

No novo fundo, Chernicharo diz que a gestora vai manter a atuação agnóstica em setores, mas os negócios com maior interesse estão em saúde, mercado financeiro e back office. A sinergia com a Araújo Fontes deve servir para reforçar o negócio das investidas, com a butique entrando para fazer M&A, crédito estruturado e reestruturação dessas empresas.

Para buscar as potenciais investidas, a Hiker aposta no Base Camp, o programa de aceleração de startups lançado em 2025. Com jornada de 12 meses, o programa possui 60 empreendedores na plataforma, que vai funcionar como canal de originação de novos negócios.

Além do novo fundo, a Hiker traz Daniel Coimbra como novo sócio. Advogado de formação, ele passou oito anos na Bossa Invest, onde atuou nas áreas jurídica e de gestão de venture capital, passando por prospecção, análise e acompanhamento de portfólio. Na nova casa, vai cuidar principalmente da relação com os fundadores das startups do portfólio.

“A proposta da Hiker está totalmente alinhada à minha visão de atuar próximo aos empreendedores, em diferentes momentos da jornada”, diz o executivo.

Fonte: Pipeline
Por: Guilherme Guerra

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