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As parcerias entre laboratórios e startups permitem a combinação de conhecimentos técnicos e inovadores das startups com a infraestrutura e expertise dos laboratórios

Parcerias entre laboratórios startups aceleram inovações na área diagnóstica

Em busca de maior agilidade nos processos de inovação, grandes empresas do setor passaram a se unir a startups, em especial, laboratórios que atuam na medicina diagnóstica. Alguns deles, inclusive, têm unido forças com o objetivo de trazer novidades para a área e sinergia em seus negócios

Em 2023, a Liga Ventures, rede de inovação aberta da América Latina, com apoio da PwC Brasil e dados da Startup Scanner, lançou o relatório Startup Landscape: Health Techs, com o objetivo de mapear as principais tendências e movimentações de startups no mercado de saúde.

Ao todo foram mapeadas 520 startups que estão ativas e utilizam diferentes tecnologias. O levantamento apontou que elas estão divididas em 35 categorias, sendo que as principais são gestão de processos (6,92%); planos e financiamento (6,54%); bem-estar físico e mental (6,15%); buscadores e agendamentos (5,96%); exames e diagnósticos (5,77%); saúde no trabalho (4,23%); inteligência de dados (4,23%); capacitação, informação e educação (3,85%); infraestrutura para telemedicina (3,65%); prontuário, prescrição e triagem (3,46%); marketplace de medicamentos e equipamentos (3,46%).

Em busca de maior agilidade nos processos de inovação, grandes empresas do setor passaram a se unir a startups, em especial, laboratórios que atuam na medicina diagnóstica. Alguns deles, inclusive, têm unido forças com o objetivo de trazer novidades para a área e sinergia em seus negócios.

Foi o caso dos grupos Fleury e Sabin, com a criação do Kortex Ventures, um fundo de investimentos em startups criado em 2020 com R$ 200 milhões em recursos. “Atualmente, o fundo possui 10 startups investidas, mas a expectativa é que até final do ano cheguemos a 13 ou 14 empresas no portfólio”, conta Gustavo Cavenaghi, head da Kortex Ventures.

Todas são startups de base tecnológica, em diferentes estágios de maturidade, que vão desde produtos digitais, como a Neuralmed, Huna-ai, Nilo Saúde e Sweetch, soluções de serviço e software de saúde, como a Welbe.mx e a ISA Labs, e equipamentos/hardware para diagnóstico, como a Siphox.

O fundo investe exclusivamente no setor de saúde, com foco em três pilares: diagnósticos, jornada do paciente e saúde digital. “Buscamos empresas de base tecnológica desse setor, que já possuam alguma receita (idealmente de pelo menos R$ 1,5 milhão nos últimos 12 meses) e que busquem capital para acelerar o crescimento e desenvolvimento do seu portfólio/roadmap de soluções. Nosso cheque inicial do fundo vai de R$ 5 a 8 milhões, porém temos reservas de capital para fazer follow ons de até três vezes esse valor, dependendo da curva de crescimento e maturidade da investida. Nossa visão não é de credor, mas de sócio. Buscamos investir em empresas para agregar valor que vá além do financeiro e que possamos abrir portas e ajudar esses empreendedores a crescer seus negócios.”

Gustavo Cavenaghi, head da Kortex Ventures

Cavenaghi conta que a decisão do Fleury de criar o Kortex se baseou na rápida transformação que o setor de saúde tem vivido. Nesse contexto o grupo já se posiciona há algum tempo, com diversas frentes de inovação tanto em sua área de P&D corporativa como no departamento de inovação aberta, e o fundo é mais uma delas. “Essa frente faz parte de uma estratégia de posicionamento de longo prazo, buscando entender, se aproximar e participar do que há de mais transformador no setor no mundo, como mais uma avenida de inovação de fora para dentro.”

Ele diz ainda que essa iniciativa possui impactos relevantes de posicionamento de longo prazo da corporação perante um mundo em rápida transformação tecnológica, tanto na esfera de produtos e serviços quanto de modelos de negócio. “O fundo busca ser uma iniciativa autossustentável do ponto de vista financeiro (trazendo retorno financeiro aos investidores), enquanto pavimenta o caminho para a transformação tecnológica e dos negócios.”

Cavenaghi conta que a decisão do Fleury de criar o Kortex se baseou na rápida transformação que o setor de saúde tem vivido. Nesse contexto o grupo já se posiciona há algum tempo, com diversas frentes de inovação tanto em sua área de P&D corporativa como no departamento de inovação aberta, e o fundo é mais uma delas. “Essa frente faz parte de uma estratégia de posicionamento de longo prazo, buscando entender, se aproximar e participar do que há de mais transformador no setor no mundo, como mais uma avenida de inovação de fora para dentro.”

Ele diz ainda que essa iniciativa possui impactos relevantes de posicionamento de longo prazo da corporação perante um mundo em rápida transformação tecnológica, tanto na esfera de produtos e serviços quanto de modelos de negócio. “O fundo busca ser uma iniciativa autossustentável do ponto de vista financeiro (trazendo retorno financeiro aos investidores), enquanto pavimenta o caminho para a transformação tecnológica e dos negócios.”

O executivo avalia que vários são os benefícios que podem advir desse tipo de iniciativa, e que esses variam de empresa para empresa. “Existem investidas com as quais buscamos sinergias de produtos, codesenvolvimento e P&D e que o relacionamento de mutualidade se dá na colaboração técnica entre a corporação e a startup, unindo as forças de cada um para a construção de soluções diferenciadas. Outras investidas, por exemplo, possuem relações de sinergias comerciais, de canais de venda, expansão geográfica, novos mercados e complementariedade de portfólio de produtos, onde tanto a corporação quanto a startup se beneficia da construção de uma parceria comercial, gerando receita para ambos os lados”, destaca.

Parcerias em favor do melhor diagnóstico

Para Eliane Lustosa Cabral, médica patologista clínica do Laboratório Geraldo Lustosa e associada à Sociedade Brasileira de Patologista Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), as parcerias entre laboratórios e startups permitem a combinação de conhecimentos técnicos e inovadores das startups com a infraestrutura e expertise dos laboratórios.

“Os laboratórios fornecem recursos, estrutura, acesso à informação de mercado, suporte para escolha da forma de monetização e precificação, além de proverem importante plataforma para a avaliação e validação da nova tecnologia ou modelo proposto. Já as startups trazem novas perspectivas, modelos de negócio e tecnologias disruptivas e emergentes”, diz ela.

Segundo Eliane, os laboratórios podem adotar rapidamente novos métodos e tecnologias, acelerando a capacidade diagnóstica e seu impacto clínico. “O resultado se reflete na melhoria dos serviços prestados, na forma de relacionamento entre todos os envolvidos no setor e na entrega de soluções diversas, eficazes e inovadoras para a saúde com mais rapidez, flexibilidade, menores custos e maior acessibilidade e resolutividade para os pacientes.”

Histórias de sucesso

Um dos exemplos de parcerias estratégicas apoiadas pelo Kortex é com a Huna, que desenvolve soluções para apoio ao diagnóstico precoce de cânceres e doenças crônicas por meio de exames de rotina de baixo custo.

A Huna aplica inteligência artificial para analisar exames de rotina para que gestores e profissionais de saúde tenham acesso a uma classificação de risco para cada paciente, contribuindo para melhores decisões clínicas e diagnósticos precoces, e, consequentemente, redução de custos em saúde.

A parceria com o Fleury teve início em 2022, com uma pesquisa científica para criação de um modelo de inteligência artificial para predição de risco de câncer de mama a partir de analitos sanguíneos do hemograma e outros exames de rotina.

A inteligência artificial foi treinada usando o banco de dados de pesquisas do Grupo Fleury, contando com o time clínico atuando junto à startup. O resultado é que a ferramenta consegue interpretar exames de sangue rotineiros e reconhecer padrões em grupos de pacientes com e sem câncer, ajudando na detecção precoce do câncer de mama.

Vinícius Ribeiro, CEO e cofundador da Huna

O foco da Huna neste primeiro momento é o rastreamento do câncer de mama, conta Vinícius Ribeiro, CEO e cofundador da empresa. “O câncer é uma doença definidora do nosso tempo, mas para a qual ainda existe dificuldade de acesso e de diagnóstico, o que impede que o paciente tenha uma jornada mais acessível. Além disso, com a ajuda da inteligência artificial, podemos trazer benefícios reais às pacientes com a possibilidade de diagnóstico precoce.”

Bruno Aragão Rocha, radiologista e coordenador médico de Inovação do Grupo Fleury, conta que ao firmar a parceria com a Huna, o que mais atraiu a atenção foi a inovação trazida na proposta, pois entender padrões ocultos dentro de resultados de exames de sangue é um diferencial na área diagnóstica. A proposta também ia além do uso da inteligência artificial que contribui para auxílio diagnóstico em exames de imagem.

“Vimos que era possível impulsionar a inovação deixando de lado a necessidade de desenvolvermos projetos de pesquisa dentro de casa, acarretando com isso custos elevados e muitas vezes tempo. Nos associarmos a uma startup traz agilidade, e é isso que precisamos quando falamos em saúde e diagnóstico precoce”, avalia Rocha.

Além do objetivo primário de poder fazer um rastreamento mais eficiente de pessoas com maior risco de desenvolver câncer, com a inteligência artificial sendo aplicada aos exames diagnósticos básicos consegue-se agregar valor a todo o sistema de saúde. “Quanto mais precocemente detectamos a doença, maior valor posso gerar para as fontes pagadoras, e quanto mais valor entrego, mais sentido eu tenho como prestador de saúde”, analisa Rocha.

No âmbito laboratorial, a inteligência artificial ajudará a otimizar os fluxos de trabalho e tornar as instituições de saúde mais sustentáveis, não só do ponto de vista de recursos, mas também visando a redução de testes desnecessários. “A inteligência artificial não é para ser aplicada no futuro. Ela já pode mudar a trajetória do sistema de saúde de maneira simples, e graças a parcerias de instituições como o Grupo Fleury é que podemos tornar isso real”, comenta Ribeiro.

Atualmente, a inteligência artificial desenvolvida pela Huna está sendo submetida a um estudo multicêntrico, envolvendo o Hospital de Amor de Barretos (SP) e o Grupo Fleury, para avaliar a performance da ferramenta em um dataset diferente do usado para a criação da ferramenta. A expectativa é que, após este estudo, seja dada a entrada no pedido de registro da ferramenta como software de saúde nos órgãos competentes, no segundo semestre de 2024.

Outro laboratório que tem apostado na parceria com startups é o Grupo Sabin. São mais de 20 startups no ecossistema da empresa, em diversos tipos de relacionamento e nas mais variadas fases de desenvolvimento. Essas empresas atuam em várias frentes, desde terapias digitais e produção de conteúdo técnico-científico até soluções para logística de material biológico e soluções focadas em diagnóstico.

“A parceria do Skyhub Sabin com essas startups pode ser estabelecida por meio de quatro formatos principais: validação técnica ou de modelo de negócio, codesenvolvimento, acordos comerciais e investimento”, explica Istvan Santiago, gerente do Skyhub, hub de inovação do Grupo Sabin.

Segundo analisa Santiago, para o Sabin, o maior benefício dessas parcerias está em poder acelerar a curva de aprendizado organizacional e gerar novas propostas de valor para os stakeholders. “Além de solucionar problemas pontuais, elas internalizam o pensamento ágil, que é uma grande contribuição dessa era de inovação acelerada em que vivemos. Outra vantagem é aumentar nossa capacidade de identificar e resolver necessidades não endereçadas por grandes fornecedores e gerar novas propostas de valor.”

Para Santiago, os desafios, ou situações pontuais que ocorrem, mas que não invalidam os pontos positivos, está em encontrar o “problem solution fit”, ou seja, identificar e refletir sobre um problema existente (problem) para criar uma solução que de fato irá resolver esse problema (solution) e conseguir determinar um preço que alguém irá pagar pela solução ao ver valor nela (fit). Outras questões são viabilizar o modelo de negócio, o grau de maturidade das soluções e das empresas e a velocidade de adoção lenta.

“Com as parcerias, já é possível observar uma nova camada de valor sendo entregue ao paciente, a aceleração da transformação digital, novas fontes de receita sendo geradas e ganhos de eficiência operacional, além de um incremento à experimentação”, finaliza.

Desafios

Bruno Aragão Rocha, radiologista e coordenador médico de Inovação do Grupo Fleury

Para Eliane, os maiores desafios vivenciados nessas parcerias são a diferença de cultura, compliance regulatório, gerenciamento de risco e gerenciamento da governança da startup, preservando a autonomia, a agilidade e flexibilidade da empresa. Em sua análise, ajustar a cultura organizacional de startups e laboratórios pode gerar desafios de integração e colaboração.

“A conformidade com requisitos regulatórios pode afetar a agilidade e o cronograma das parcerias. É necessário identificar e mitigar riscos técnicos e comerciais para o sucesso de ambas. Para a empresa, o mais complexo é fornecer todo o suporte e estrutura sem acabar ‘incorporando’ a startup, tornando-a morosa e burocrática, tirando-lhe a criatividade e ousadia.”

Para Cavenaghi, o setor de saúde é um setor cheio de desafios, que se tornam ainda maiores sob a ótica de uma startup tentando navegar em um mercado altamente regulado, de cadeia complexa e longos ciclos de venda no B2B. Segundo ele, em muitos dos “subsetores da saúde”, os desafios de acreditação médica no desenvolvimento de produtos se somam a diversos outros, tornando esse setor de difícil navegabilidade, porém repleto de excelentes oportunidades para aqueles que conseguem desbravá-lo. “Vemos com bastante otimismo a aplicação de novas tecnologias, no entanto, enxergamos que é preciso muito conhecimento, paciência e um perfil específico de empreendedor para navegar esses mares”, diz ele.

Para que a parceria seja longeva e produtiva, Eliane acredita que ela deve ser vista como um processo de inovação conjunta, desenvolvimento colaborativo, com objetivo compartilhado que deve harmonizar as culturas, preservando a independência da startup, sua criatividade, flexibilidade e rapidez.

“Para isso, é importante estabelecer canais claros de comunicação e processos para alinhar expectativas e superar desafios diversos que podem se apresentar. Também é necessário adotar metodologias ágeis para rápida adaptação, flexibilidade, diminuição de barreiras no desenvolvimento, atendimento de possíveis demandas regulatórias e implantação das novas soluções diagnósticas ou de tratamento de dados ou novos modelos de atendimento e relacionamento.”

O que esperar para o futuro

Na visão de Eliane, o futuro deverá trazer uma aceleração na inovação com o uso da inteligência artificial, com as startups ganhando acesso a recursos e expertise, permitindo o desenvolvimento e validação rápida de novas soluções diagnósticas ou modelos de relacionamento, com adoção de inteligência artificial.

Ela acredita que haverá expansão de mercado e maior acessibilidade à assistência médica pela população em geral. Para os laboratórios, essas parcerias representam oportunidades de expansão e diversificação de portfólio e serviços e descentralização de atendimento.

“Com isso, teremos replicação das estratégias de parcerias bem-sucedidas para o setor global de saúde, além de fortalecimento dos investimentos em pesquisas aplicadas para o desenvolvimento contínuo de soluções avançadas de diagnóstico, saúde e cuidado do paciente. Essa melhoria diagnóstica resultante beneficia a sociedade e contribui para o melhor cuidado do paciente, com acessibilidade e resolutividade no ponto de atendimento, promovendo uma saúde mais abrangente e eficiente”, finaliza.

Fonte: Labnetwork
Por: Cristina Sanches

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