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Vitor Mascarenhas, da EDP Ventures: "Quando escolhemos uma startup, nós queremos ter uma participação relevante" (EDP Ventures/Divulgação)

Por que essa empresa de energia está investindo mais de R$ 500 milhões em startups

Fundado há mais de 10 anos, a estrutura, chamada de EDP Ventures, investiu R$ 340 milhões até agora e tem um portfólio ativo de 39 startups

No momento em que o mundo fala cada vez mais sobre crise e transição energética, o grupo EDP está mais do que dobrando os investimentos em inovação, a partir do seu CVC, veículo de corporate venture capital para alocar recursos em startups. Fundado há mais de 10 anos, a estrutura, chamada de EDP Ventures, investiu R$340 milhões até agora e tem a missão de aportar outros R$500 milhões até 2026.

Diferentemente de outros CVCs, o modelo da companhia de origem portuguesa funciona sob uma ótica global – e não nacional. Nos critérios, estão negócios que oferecem serviços e produtos em toda a cadeia de valor da companhia, passando por geração e distribuição, consumidor final e energias renováveis.

Que tipo de startup o fundo tem buscado

Por aqui, o fundo tem colocado recursos em negócios de mobilidade elétrica, energias renováveis e descarbonização. Com foco no médio prazo, o veículo procura combinar startups que têm soluções prontas para serem implementadas hoje e aquelas que respondem aos desafios que se apresentarão daqui a cinco anos.

“Nós fazemos um mapeamento ano a ano sobre os principais problemas da EDP, sobre as prioridades e também sobre o impacto das tecnologias, como o IA generativa no ano passado, para o nosso negócio”, afirma o português Vitor Mascarenhas, head de Corporate Venture Capital da EDP.

O portfólio atual é composto por 39 startups de diversos países onde o grupo atua, incluindo 8 brasileiras: Time Energy, Colab, Dom Rock, Delfos, Fractal Engenharia, e, mais recentemente, 77Sol.  Em participação, o número de startups locais escolhidas representa cerca de 25%.

Ou seja, se o CVC mantiver o mesmo patamar de alocação, mais de R$100 milhões devem ser investidos em startups nacionais. A EDP não abre esse percentual.

“Nós tentamos entrar em rodadas em que o nosso cheque médio fica em 2 a 3 milhões de dólares para cada startup”, diz Mascarenhas. “Quando escolhemos uma startup, nós queremos ter uma participação relevante que nos permita ter um impacto não só na governança, mas também na estratégia com assessments e mentoria. Enfim, temos um conjunto de alavancas para garantir que o impacto seja sentido o mais rápido possível”.  

No grupo EDP desde 2016, o português desembarcou no Brasil, um dos três maiores mercados para a companhia, três anos depois para estruturar a operação local do CVC. Mais recentemente, a unidade passou a incorporar os demais países da América Latina. 

Qual é o momento do negócio

O aporte que marcou o novo passo foi na chilena Splight, que cria tecnologias de inteligência artificial e ciência de dados para tornar os sistemas usados na geração de energia renovável mais eficientes. A EDP Ventures destinou US$2 milhões para a startup – o equivalente a R$10 milhões, à época do anúncio em fevereiro passado.

Ao longo dos anos, o veículo também avançou em busca de startups mais avançadas e que ofereçam respostas com mais agilidade. “Nós queremos encontrar empresas mais maduras e que estejam prontas hoje para trabalhar com o negócio. Muitas vezes, nós víamos que a curva de adoção,  ao investir em pré-seed ou seed, ainda estava muito longe”, diz Mascarenhas. O CVC tem procurado por negócios que estão em rodadas entre seed e série B.

A mudança é ainda uma resposta a outra proposta do fundo: funcionar como um alavancador de recursos para financiar novos aportes, além de gerar dividendos aos acionistas do grupo, a partir de movimentos de desinvestimentos. 

“O nosso grande objetivo é ter impacto estratégico no negócio, mas também nos comportarmos como um investidor financeiro e ter uma boa rentabilidade”, diz Mascarenhas. Segundo números da própria EDP Ventures, a receita das startups investidas avançou 40% em 2023 sobre um ano antes.

Fonte: Exame
Por: Marcos Bonfim

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