Victor Lazarte aloca metade do novo fundo em sete meses: ‘máxima exposição a IA’

VL Fund, criado por ex-Wildlife e Benchmark, tem mais US$ 100 milhões para startups americanas

O VL Fund, recém-criado pelo empreendedor e investidor brasileiro Victor Lazarte, aportou metade de todo o capital levantado em apenas quatro startups de inteligência artificial dos Estados Unidos. A alocação foi realizada nos primeiros sete meses do fundo, lançado em setembro passado com US$ 200 milhões de capital – uma velocidade acelerada até para os mais otimistas com o hype da IA.

“Quero ter a máxima exposição possível à inteligência artificial”, diz Victor Lazarte, o único sócio do VL Fund, ao Pipeline. Ele participa da conferência Brazil at Silicon Valley, em Sunnyvale, nos EUA. “Minha macrotese é que o uso de IA vai crescer muito, então quero investir nas companhias que vão implementar essa tecnologia na sociedade.”

O VL Fund está em busca de startups de fundadores novatos e negócios em estágio inicial que usem a IA aplicada em diferentes indústrias, como educação e saúde. Lazarte não revela quais foram as quatro startups que receberam os primeiros investimentos, argumentando que são negócios “rodando em operação stealth.”

O paulista não busca investir em negócios de outros empreendedores brasileiros especificamente ou com com soluções nacionais, e restringiu sua tese de investimento a negócios de escala nos EUA. O enfoque explica-se pelos âncoras do veículo: três endowments de universidades da Ivy League, nomes que também não dá disclosure.

A meta de Lazarte é alocar os cerca de US$ 100 milhões restantes até abril de 2027, mantendo um prazo de até 2,5 anos para o veículo. Mais cheques devem ser assinados nessa segunda metade do capital disponivel, reduzindo um pouco o tiquete em relação aos primeiros aportes.

“Não temos pressa para fazer os aportes. Acabou acontecendo, mas investir rápido não estava nos planos”, diz. “O que està ocorrendo no. mundo de tecnologia é muito chocante. A Anthropic adicionou US$ 10 bilhões em receita anualizada recorrente em um mês. Isso nunca aconteceu antes na história de qualquer empresa.”

A obsessão por IA surgiu em 2020, quando Lazarte se mudou de São Paulo para o Vale do Silicio. Naquele ano, conheceu uma versão beta do ChatGPT que circulava sigilosamente entre desenvolvedores da região. A Capacidade de entendimento e de resposta do robó assustou o brasileiro, que teve a mesma reação do restante do mundo em novembro de 2022, quando a OpenAl lança o chatbot.

Até levantar o VL Fund, Lazarte vinha atuando como investidor anjo de negócios de IA nos. ELJA e fechou quatro aportes: Mercor, HeyGen, Decart e Applied Compute. O investidor também foi um dos primeiros a apostar na Brex, fintech americana fundada por brasileiros nos EUA e que lhe deu saida ao vender o negocio por US$ 5,15 bilhões ao banco Capital One em janeiro.

Lazarte aprendeu a se tornar investidor por meio da Benchmark, tradicional gestora americana de venture capital que já investiu em nomes conhecidos como Uber, Twitter e Discord. Como general partner, ele realizou investimentos em early stage entre 2023 e agosto de 2025, quando saiu abruptamente para fundar a VL

“Eu adores o meu tempo là, mas o empreendedor em mim quis criar o meu próprio mundo”, diz. Além do VL Fund, Lazarte atualmente dedica se a uma startup de IA na área de visão computacional, que também opera em stealth.

Fonte: Pipeline
Por: Gullherme Guerra 

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