A fintech Lerian, que desenvolve infraestrutura open source para serviços financeiros, captou US$ 5,5 milhões em uma rodada seed. O cheque vem para aumentar o investimento em tecnologia e equipe para que a startup possa competir com gigantes como Pismo e Matera.
A rodada foi liderada pela Maya Capital, gestora de venture capital de Lara Lemann e Monica Saggioro por meio do seu segundo fundo, lançado em 2022. O veículo havia liderado o pré-seed de US$ 3 milhões na Lerian em 2024, quando também aportaram Norte Ventures, Supera Capital, Quartz e Crivo Ventures.
Neste seed, apenas a Quartz não fez o follow-on, dando espaço para a entrada da Citrino (em veículo de propósito especial em parceria com a Norte) e da BluStone (por meio de um fundo recém-fechado de US$ 12,5 milhões).
A captação traz também pela primeira vez o americano Kevin Efrusy, veterano de anos da Accel, cujo portfólio inclui companhias que vieram a se tornar pesos pesados do Vale do Silício, como Facebook, Spotify e Slack. O investimento na Lerian veio por meio do family office de Efrusy, que tem se mostrado cada vez mais confiante na tese das fintechs no Brasil e foi apresentado à startup por Saggioro.
“O Kevin pega muito pesado aqui conosco em termos de feedback, e nós estamos adorando isso”, diz o CEO e fundador da Lerian, Fred Amaral. Ele também é cofundador do unicórnio de banking as a service Dock, de onde ele saiu em 2024 para criar a fintech junto dos colegas Jefferson Rodrigues, Maisa Amaral (egressos da Dock) e Marilyn Hahn, ex-Bankly.
Segundo o CEO, a participação do americano é importante não só por conta do know-how de anos no venture capital, mas também porque ele foi investidor da Pismo, fintech brasileira comprada pela Visa em 2023 por US$ 1 bilhão e principal rival da Lerian – “mas também um benchmark para nós”, elogia Amaral.
A Lerian opera no segmento de “core banking”, atuando como sistema operacional de bancos, fintechs e outros serviços financeiros no mundo digital. A proposta da startup é conectar esses clientes diretamente ao sistema do Banco Central por meio de soluções customizadas e modulares, como ledgers (um banco de dados que registra as operações bancárias) e outras soluções. A principal vantagem do modelo é eliminar intermediários da cadeia e agilizar a integração.
A escolha pelo modelo de código livre permite que os próprios clientes (e rivais, claro) usem e até auditem a tecnologia de infraestrutura da fintech. Por outro lado, o rigor de terceiros torna o produto mais confiável e rápido de ser integrado por potenciais clientes, diz Amaral.
Como modelo de negócio, a Lerian oferece plugins e outros serviços acessórios à integração financeira, enquanto a infraestrutura básica permanece gratuita. No modelo, o tíquete médio atual é de R$ 100 mil por cliente. A startup tem 14 clientes firmados, com expectativa de dobrar até o fim do ano.
“Temos alta convicção na tese. Com o número de fintechs bombando e precisando de soluções de core bancário, faz sentido usar uma solução open source e com proposta flexível e transparente como a da Lerian”, explica Monica Saggioro, sócia-fundadora da Maya. “É um potencial gigantesco.”